06 de setembro de 2011

Estudo sobre o estilo de vida dos acadêmicos do Curso de Farmácia da FESCG: relação com tendência à obesidade.

Saiba mais sobre a relação entre a obesidade e o estilo de vida.

1. INTRODUÇÃO

1.1 Definição da obesidade:

A obesidade pode ser definida como todo aumento de peso corporal causado por excesso de tecido adiposo ou todo excesso de gordura corporal que origina risco para saúde (FUCHS et al., 2004).
Em geral, as culturas enfatizam muito a boa forma e a imagem corporal, o que facilita a identificação de incômodos com o excesso de peso, independente dos graus de obesidade. Os nossos padrões culturais atuais não são diferentes dos demais, pois fazem com que até indivíduos com peso dentro dos parâmetros de normalidade possam sentir-se com peso acima do desejado (VASQUES et al., 2004).

1.2 Fatores de risco da obesidade:
A industrialização ofereceu facilidade na obtenção e preparo dos alimentos. O padrão de vida passou a ser mais sedentário, os indivíduos passaram a comer mais e a exercitar-se menos, levando a um superávit calórico, favorecendo a obesidade (MARCON; GUS, 2007).
O excesso de peso corporal é o sexto fator de risco mais importante em todo o mundo para diversas doenças crônicas que não são transmissíveis (ALMEIDA et al., 2009), como: doenças cardiovasculares, diabetes melito e outras condições. Não sendo apenas um problema estético, sua prevalência tem aumentado no mundo, com notório comprometimento de crianças e adolescentes (WANNMACHER, 2004).

1.3 Prevalência da obesidade:
Dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia apontam que 80% da nossa população adulta é sedentária e que 32% dos adultos brasileiros são obesos. O aumento da prevalência da obesidade no Brasil está distribuído em todos os estratos econômicos da população, porém é mais elevado nas famílias de baixa renda (FRANCISCHI et al., 2000).
Mundialmente, em torno de 1,1 bilhões de adultos e 10% das crianças têm, sobrepeso ou obesidade. No Brasil, a prevalência de sobrepeso observada em uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (entre 2002-2003) foi de 41% para os homens e 39,2% para as mulheres (ALMEIDA et al., 2009).

1.4 Classificação da obesidade:
A referência aceita universalmente para a classificação da obesidade é o índice de massa corpórea (IMC) proposto por Quetelej, em 1835, e é expresso pelo peso em quilogramas do indivíduo dividido pelo quadrado da altura em metros. Tem como inconveniente não distinguir a massa gorda da massa magra, porém foi adotado em 1997 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o índice de referência de medida para a obesidade (PUGLIA, 2004).
A OMS divide a obesidade em três níveis, sendo grau I com IMC (entre 30 e 34,9 Kg/m²), grau II (entre 35 e 39,9 Kg/m²) e grau III ou obesidade mórbida com IMC (acima de 40 Kg/m²) (PUGLIA, 2004).
Diversos índices antropométricos têm sido propostos para determinar o excesso de peso. A medida da cintura, um dado de fácil obtenção, associa-se com o IMC e com a razão cintura-quadril, sendo capaz de detectar indivíduos com excesso de peso. A medida da cintura também está relacionada com a gordura intra-abdominal (GUS et al., 1998).
A medida da cintura é um índice antropométrico de fácil e rápida aferição, dispensando a necessidade do emprego de fórmulas e cálculos, é capaz de identificar se os indivíduos estão obesos através das circunferências ≥ 94cm em homens e ≥ 80cm em mulheres, são capazes de identificar indivíduos com IMC ≥ 25kg/ m² com uma sensibilidade e especificidade de 96% (GUS et al., 1998).

1.5 Formas terapêuticas disponíveis contra a obesidade:
O tratamento atual da obesidade baseia-se em terapias comportamentais dirigidas no sentido de modificação das atividades e hábitos relacionados à alimentação, exercício para aumentar o gasto calórico e orientações nutricionais para diminuir o consumo de calorias e, particularmente, de gordura. Os tratamentos com agentes farmacológicos são considerados um adjunto a esta terapêutica básica (MANCINI; HALPERN, 2002).
Para o tratamento medicamentoso na redução de peso corporal, utiliza-se as seguintes drogas: anfetaminas, fenfluraminas, fenterminas, dietilpropriona, mazindol, pemolina, fenilpropanolamina e os anti-depressivos, fluoxitena e sertralina, entre outras. Há controvérsias sobre a utilização destes fármacos, devido a poucos estudos disponíveis sobre seus efeitos em longo prazo (FRANCISCHI et al., 2000).
Os agentes anti-obesidade disponíveis podem ser classificados em 3 grupos: o primeiro reúne os medicamentos com ação exclusivamente central; o segundo é o de ação periférica e o terceiro é o de ação periférica e central. A fluoxetina e a sertralina são citadas como úteis no tratamento de estados depressivos associados com a obesidade, mas adverte-se que não podem ser consideradas agentes anti-obesidade (COUTINHO; CABRAL, 2000).
Os medicamentos que não são recomendados para o tratamento da obesidade, são os: diuréticos, a gonadotrofina coriônica, a anfetamina, a dexanfetamina e a tiroxina. Adverte-se que a metformina e a ascarbose podem ser úteis no tratamento de pacientes diabéticos obesos, mas não têm eficácia comprovada para o obeso não diabético. A fluoxetina e laxativos (COUTINHO; CABRAL, 2000).
O tratamento da obesidade com o uso de fármacos não cura a obesidade. Como qualquer outro tratamento, os medicamentos não funcionam quando não são tomados, isto é, deve-se esperar recuperação do peso perdido quando os mesmos são suspensos. O tratamento deve ser mantido apenas quando considerado seguro e efetivo para o paciente em questão (MANCINI; HALPERN, 2002).
Tendo em vista o fato que a obesidade pode ser considerada um problema de saúde pública mundial pela sua elevada prevalência, o tema desta pesquisa pode ser considerado relevante. Depois de conhecidos os inúmeros fatores de risco que está associado a esta condição patológica, faz-se necessário a identificação das formas de prevenção e controle desta desordem nutricional.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

2.1 Tipo de Estudo
Levantamento do tipo quantitativo, descritivo.

2.2 Delineamento do Estudo
Obteve-se como amostra do estudo os acadêmicos do Curso de Farmácia da FESCG (Faculdade Estácio de Sá de Campo Grande – MS). Para selecionar as amostras, foram obtidos, junto à coordenação do Curso de Farmácia, a relação dos alunos devidamente matriculados no Curso de Farmácia no ano de 2010. A coleta de dados foi efetuada na própria instituição de ensino em entrevistas individuais com os acadêmicos. O acadêmico assinou o termo de consentimento livre e esclarecido, que contem dados sobre a pesquisa que ele estava participando e posteriormente respondeu o questionário, que foi aplicado nos dias 10, 11 e 12 do mês de novembro de 2010. O questionário, contendo ao todo dezoito questões, foi aplicado a fim de verificar o estilo de vida e hábitos alimentares dos acadêmicos, correlacionando com tendências à obesidade. O questionário era de auto-preenchimento. Os dados de peso, idade e altura foram auto referidos.
Para avaliar se os acadêmicos estavam ou não acima do peso ideal, utilizou-se o IMC, que é obtido pela divisão do peso (quilogramas) pela altura (metros) ao quadrado. Considerou-se com excesso de peso ou obesidade todos os acadêmicos que obtiveram o IMC maior ou igual a 25 Kg/m² (PUGLIA, 2004).
Os dados foram coletados de forma sigilosa, de caráter duplo cego e as informações foram usadas exclusivamente neste estudo.

2.3 Análise Estatística
Para análise e armazenamento dos dados obtidos e procedimentos estatísticos descritivos e analíticos utilizou-se o programa Excel.


3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Neste trabalho observou-se que 7% das amostras estavam com o IMC abaixo de 18,5Kg/m² que é o valor mínimo de normalidade do IMC, estar nesta situação também pode ser perigoso. Já 46% das amostras estavam com IMC entre 18,5Kg/m² a 24,9Kg/m², ou seja, dentro dos limites de normalidade. 30% das amostras estavam com IMC entre 25,0Kg/m² a 29,9Kg/m², o que indica um sobrepeso. 7% estavam com IMC entre 30,0Kg/m² a 34,9Kg/m², o que indica obesidade de grau I. Já 3% das amostras estavam com IMC entre 35,0Kg/m² a 39,9Kg/m², indicando obesidade de grau II e 7% estavam com o IMC acima de 40Kg/m², indicando obesidade de grau III ou obesidade mórbida (Tabela 1).
De acordo com Puglia(2004) a OMS classifica a obesidade em três níveis, sendo grau I com IMC (entre 30 e 34,9Kg/m²), grau II (entre 35 e 39,9Kg/m²) e grau III ou obesidade mórbida com IMC (acima de 40Kg/m²).

Um total de 53% dos acadêmicos disseram ter uma alimentação saudável. Já quando questionados se os mesmos se alimentam corretamente, apenas 2% dos entrevistados se alimentam ao menos seis vezes ao dia, o que contradiz a versão de terem uma alimentação saudável.
Segundo Sichieri et al., (2000) foi proposto como uma alimentação saudável: consumo de ao menos quatro refeições ao dia, pois pular refeições somente prejudica a saúde; consumir arroz e feijão todos os dias acompanhados de legumes e vegetais folhosos; comer de quatro a cinco porções de frutas; reduzir o açúcar; evitar refrigerantes, enlatados e excesso de sal; tomar leite e comer produtos lácteos com baixo teor de gordura, pelo menos três vezes ao dia.

Quando questionados sobre a prática de exercícios físicos, 40% dos acadêmicos entrevistados costumam praticar exercícios físicos, os outros 60% normalmente não costumam praticar. Destes que praticam 25%afirmaram praticar exercícios físicos uma ou duas vezes no mês, e apenas11% praticam exercícios físicos uma ou duas vezes na semana e 22% dos entrevistados praticam exercícios físicos três ou mais vezes por semana.
A prática de atividade física não só previne como minimiza os efeitos causados pela obesidade, e também é um importante fator na prevenção primária e secundária, bem como no tratamento de várias doenças causado pelo excesso de peso (MARCON; GUS, 2007).

4. CONCLUSÃO

Os resultados da pesquisa no que se refere ao cálculo do IMC dos acadêmicos entrevistados, demonstrou que grande parte deles (47%) está acima do IMC reconhecido pela OMS como parâmetro de normalidade, e de acordo com os dados obtidos sobre a prática de exercícios físicos e a rotina de ingestão de uma alimentação saudável e balanceada, leva a entender que os acadêmicos não sabem o que é uma alimentação saudável, e devido a isso não estão se alimentando saudavelmente também estão levando uma vida sedentária, sem exercícios físicos, o que pode levá-los a sofrer de doenças ou transtornos associados a obesidade.  Com base nesses dados deve-se propor uma mudança quanto aos hábitos de vida por parte desses entrevistados, pois podemos dizer que estes acadêmicos são fortes candidatos a num futuro muito próximo sofrer com consequências relacionadas à obesidade.

5. REFERÊNCIAS

ALMEIDA, J; RODRIGUES, T; SILVA, F; AZEVEDO, M. Revisão sistemática de dietas de emagrecimento: papel dos componentes dietéticos. Arq Bras Endocrinol Metab, v. 53, n. 5; p, 673-87, 2009

COUTINHO, W; CABRAL, M. A Farmacoterapia da Obesidade nos Consensos. Arq Bras Endocrinol Metab, v. 44, n. 1, p.91-94, 2000

FRANCISCHI, R; PEREIRA, L; FREITAS, C; KLOPFER, M; SANTOS, R; VIEIRA, P; LANCHA JUNIOR, A. Obesidade: Atualização sobre sua etiologia, morbidade e tratamento. Rev. Nutr., Campinas,v. 13, n. 1, p. 17-28,jan./abr, 2000.

FUCHS, F; WANNMACHER, L; FERREIRA, M. Fármacos em obesidade. Farmacologia clínica, fundamentos da terapêutica racional, Guanabara koogan,n.3ª edição RJ-2004.

GUS, M; MOREIRA, L; PIMENTEL, M; GLEISENER, A; MORAES, R; FUCHS, F. Associação entre Diferentes Indicadores de Obesidade e Prevalência de Hipertensão Arterial. Arq Bras Cardiol,v. 70, n. 2, p. 111-114, 1998

MANCINI, M; ALFEDRO, Halpern. Tratamento Farmacológico da Obesidade. Arq Bras
Endocrinol Metab, v. 46, n. 5, p. 497-513, 2002.

MARCON, E; GUS, I. A importância da atividade física no tratamento e prevenção da obesidade. Cad. Saúde colet, v. 15, n. 2, p. 291 - 294,Rio de Janeiro, 2007.

PUGLIA, C. Indicações para o tratamento operatório da obesidade mórbida. Rev Assoc Med Bras, v. 50, n. 2, p. 109-26, 2004

SICHIERI, R; COITINHO, D; MONTEIRO, J; COUTINHO, W. Recomendações de alimentação e nutrição saudável para a população Brasileira. Arq Bras Endocrinol Metab, v. 44, n. 3, Jun 2000.

SILBERNAGL, S;  LANG, F; Fisiopatologia texto e atlas. Temperatura , energia: obesidade, distúrbios alimentares., Artmed, 2006

VASQUES, F; MARTINS, F; AZEVEDO, A. Aspectos psiquiátricos do tratamento da
Obesidade. Rev. Psiq. Clin, v. 31, n. 4, p. 195-198, 2004.

WANNMACHER, L. Obesidade: Evidências e fantasias. ISSN 1810-0791,v. 1, n. 3, Brasília, fev 2004.

AUTORES:

Mateus Estevão da Silva
Farmacêutico, formado pela Faculdade Estácio de Sá – Campo Grande/MS. Email: mateus_murtinhense@hotmail.com

Jorge Luiz Curado Siufi
Doutor em Medicina pela USP. Professor da Faculdade Estácio de Sá – Campo Grande/MS.

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