03 de janeiro de 2012

Uso racional de medicamentos através da automedicação

A automedicação pode ser racional?

A automedicação é uma prática bastante utilizada em todos os estratos da população1-4. Alguns estudos realizados no Brasil tem mostrado que de uma maneira geral, uma fração importante das pessoas adota esta prática, geralmente a prevalência de adoção da prática da automedicação nos últimos 15 dias é em torno de 50%1-4.

Muitos autores discutem os pontos negativos da automedicação, como o fato de mascarar problemas mais sérios de saúde, prejudicar diagnóstico médico, causar problemas de insegurança ao paciente (reações adversas e intoxicações)5,6. No entanto, pode haver vantagens na sua adoção, como a praticidade e o custo do tratamento, além do alívio dos sintomas referidos pelos pacientes6.

Para que a automedicação seja realizada de forma racional, alguns critérios devem ser observados6:

- O paciente não deve caracterizar-se como especial, como por exemplo: gestantes, crianças menores de dois meses, idosos ou pacientes polimedicados;

- Os medicamentos adotados nesta prática devem ser de venda livre, devendo ser utilizado exclusivamente ao que se indica (não pode ser uso off label);

- As doses e posologias devem estar adequadas ao paciente;

- A queixa do paciente deve ser claramente de um transtorno menor;

Problemas de saúde recorrentes ou que persistam por longos períodos, bem como sintomas que não se reduzem ou que se intensificam com a prática da automedicação, geralmente não configuram transtornos menores, devendo-se nesta situação ser procurado o atendimento médico7.

Destaca-se que os transtornos menores por serem autolimitados geralmente evoluem para a cura mesmo que nada seja realizado. Contudo, a prática da automedicação nestas situações podem reduzir os sinais e sintomas do problema de saúde, melhorando a qualidade de vida do paciente6-8.

A adoção de antigas prescrições ou do uso de medicamentos utilizados por pessoas próximas para sintomas parecidos, nem sempre é uma boa opção para o manejo dos problemas de saúde (automedicação)5. Neste contexto, o farmacêutico é um profissional de saúde que pode auxiliar a população na prática da automedicação, auxiliando na escolha da alternativa terapêutica adequada (farmacológica ou não farmacológica), bem como, identificando situações mais sérias em que deve haver encaminhamento a outro profissional da saúde6,8.

Referências

1. Loyola AI, Uchoa E, Guerra HL, Firma JOA, Lima-Costa MF. Prevalência e fatores associados à automedicação: resultados do projeto Bambuí. Rev Saúde Pública 2002;36(1):55-62.

2. Leite SN, Cordeiro BC, Thiesen D, Bianchini JP. Utilização de medicamentos e outras terapias antes de consulta pediátrica por usuários de unidade pública de saúde em Itajaí-SC, Brasil. Acta Farm. Bonaerense. 2006;25(4): 608-12.

3. Schimid B, Bernal R, Silva NN. Automedicação em adultos de baixa renda no município de São Paulo. Rev Saude Publica 2010; 44(6):1039-45.

4. Aquino DS, Barros JAC, Silva MDP. A automedicação e os acadêmicos da área da saúde. Cienc Saude Colet 2010; 15 (5):2533-8.

5. Automedicação. Rev Assoc Med Bras. 2001;47(4): 269-70.

6. Galato D, Galafassi LM, Alano GM, Trauthman SC. Responsable self-madication: review of the process of Pharmaceutical attendance. Braz J Pharm Sci 2009; 45(4): 625-33

7. WHO - World Health Organization. Guidelines for the medical assessment of drugs for use in self-medication. Copenhagen, 1986.

8. WHO - World Health Organization. The role of the pharmacist in self-care and self-medication. Hangue: World Health Organization, 1998.
Compartilhe:
Dayani Galato

Dayani Galato

Farmacêutica. Doutora pela UFSC. Professora do Curso de Farmácia e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UNISUL. Coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Atenção Farmacêutica e Estudos de Utilização de Medicamentos (NAFEUM).

E-mail Lattes