16 de maio de 2012
Um toque de Clássicos: Marx, Durkheim e Weber - Parte 4
O texto aborda as ideias dos pensadores que mais se destacaram na Sociologia, fundamentais para os estudantes da Saúde Coletiva.
Na última parte da série sobre o livro “Um toque de Clássicos: Marx, Durkheim e Weber”, vamos abordar os temas e ideias centrais da obra de Max Weber.
À época de Max Weber, travava-se na Alemanha um acirrado debate entre a corrente até então dominante no pensamento social e filosófico, o positivismo, e seus críticos. O objeto da polêmica eram as especificidades das ciências da natureza e do espírito e, no interior destas, o papel dos valores e a possibilidade da formulação de leis.
Mas foram Marx e Nietzsche, reconhecidos pelo próprio Weber como os pensadores decisivos de seu tempo, aqueles que, segundo alguns biógrafos, tiveram maior impacto sobre a obra do sociólogo alemão. A influência de Marx evidencia-se no fato de ambos terem compartilhado o grande tema - o capitalismo ocidental - e dedicado a ele boa parte de suas energias intelectuais, estudando-o da perspectiva histórica, econômica, ideológica e sociológica. Weber propôs-se a verificar a capacidade que teria o materialismo histórico de encontrar explicações adequadas à história social, especialmente sobre as relações entre a estrutura e a superestrutura.
Em suma, procurou compreender como as ideias, tanto quanto os fatores de ordem material, cobravam força na explicação sociológica, sem deixar de criticar o monismo causal que caracteriza o materialismo marxista nas suas formas vulgares.
Weber endossa o ponto de vista segundo o qual as ciências sociais visam a compreensão de eventos culturais enquanto singularidades. O alvo é, portanto, captar a especificidade dos fenômenos estudados e seus significados. Mas sendo a realidade cultural infinita, uma investigação exaustiva, que considerasse todas as circunstâncias ou variáveis envolvidas num determinado acontecimento, torna-se uma pretensão inatingível. Por isso, o cientista precisa isolar, da “imensidade absoluta, um fragmento ínfimo”: que considera relevante. O critério de seleção operante nesse processo está dado pelo significado que certos fenômenos possuem, tanto para ele como para a cultura e a época em que se inserem. É a partir da consideração de ambos os registros que será possível o ideal de objetividade e inteligibilidade nas ciências sociais.
A concepção de sociedade construída por Weber implica numa separação de esferas - como a econômica, a religiosa, a política, a jurídica, a social, a cultural - cada uma delas com lógicas particulares de funcionamento. O agente individual é a unidade da análise sociológica, a única entidade capaz de conferir significado as suas ações.
É nas ações e no sentido que o agente lhes confere que se atualiza a lógica de cada uma das esferas da vida em sociedade, e é a partir do contexto significante da ordem na qual uma ação individual está inserida que poderemos compreender sociologicamente seu significado.
Uma das questões colocadas à Sociologia é a que se refere à persistência das
relações sociais. O que pode levar a que o conteúdo dessas relações ou elas próprias se mantenham? Dito de outro modo, o que faz com que os indivíduos dêem às suas ações um sentido determinado que perdure com regularidade no tempo e no espaço? Qual é a base da regularidade nas ações das pessoas se o que lhes dá sentido não é uma instituição abstrata?
Uma vez que Weber entende que o social constrói-se a partir das ações individuais, cria-se um problema teórico: como é possível a continuidade da vida social? A resposta para tais questões encontra-se no fundamento da organização social, chave do verdadeiro problema sociológico: a dominação ou a produção da legitimidade, da submissão de um grupo a um mandato. É fundamental então distinguir os conceitos de poder e dominação.
O conceito de poder é, do ponto de vista sociológico, amorfo já que “significa a probabilidade de impor a própria vontade dentro de uma relação social, mesmo contra toda a resistência e qualquer que seja o fundamento dessa probabilidade”. Portanto, não se limita a nenhuma circunstância social específica, dado que a imposição da vontade de alguém pode ocorrer em inúmeras situações.
Como nas demais, também na ordem religiosa existe luta entre agentes pela imposição do seu domínio, podendo ser operadas mudanças decisivas tanto no âmbito da religião como em outras áreas da vida coletiva. Assim como na economia e na política, também tem-se assistido na vida religiosa, especialmente em algumas seitas ocidentais, ao estabelecimento de um conjunto de valores conducentes à racionalização das condutas dos fiéis. Weber considerou este um fenômeno fundamental para a transformação das práticas econômicas e para a constituição da estrutura das sociedades modernas. Portanto, o estudo da religiosidade é essencial para a compreensão das distintas formas de vida social, assim como de sua evolução, sendo a racionalização das relações sociais a mais clara tendência presente nas sociedades ocidentais - questão de grande centralidade no conflito sociopolítico internacional contemporâneo.
Médico Sanitarista, Especialista em Medicina de Família e Comunidade, Especialista em Medicina do Trabalho, Perito Previdenciário e Perito Trabalhista, Assistente Técnico em Perícias em geral, Especialista em Saúde Pública, Mestrando em Saúde Coletiva.