quarta, 01 de fevereiro de 2012

Número de médicos no Brasil cresce quase 70% em duas décadas

Apesar do crescimento exponencial no número de médicos, ocorrido a partir da década de 1970, pesquisa revela que ainda faltam médicos no interior do Brasil.

De acordo com a pesquisa sobre a Demografia Médica no Brasil, desenvolvida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), em outubro de 2011 havia quase 372 mil médicos em atividade no Brasil. De 1970 para cá o crescimento no contingente de médicos no país cresceu 530%, enquanto a população brasileira cresceu 105% nesse mesmo período.

A pesquisa comparou década por década o crescimento no número de médicos, mas o aumento mais visível ocorreu nos últimos 40 anos.

Verifica-se que a partir da década de 1970 ocorreu um aumento exponencial no número de médicos no Brasil, fato que está relacionado com o salto na abertura de escolas médicas nos anos 60.

Além do aumento na oferta, como a abertura de cursos de medicina, outros fatores também estão relacionados ao aumento expressivo do número de médicos no Brasil. Pode-se considerar que houve o aumento na demanda, já que as necessidades em saúde são crescentes, houve mudanças no perfil de morbidade e mortalidade, melhoria na garantia de direitos sociais, incorporação de tecnologias médicas e envelhecimento da população.

Ainda, outros fatores podem ser listados, como expansão do sistema de saúde, surgimento de mais postos de trabalho médicos, entre outros.

Na tabela a seguir pode-se verificar a evolução do contingente de médicos em atividade no Brasil.

Evolução da população de médicos, Brasil (2011)
Década Médicos
1910 13.270
1920 14.031
1930 15.899
1940 20.745
1950 26.120
1960 34.792
1970 58.994
1980 137.347
1990 219.084
2000 291.926
2010 364.757

























(Fonte: CFM. Demografia Médica no Brasil. 2011)

Distribuição dos médicos nas regiões brasileiras:

Apesar do aumento vertiginoso no número de médicos no Brasil, sua distribuição ainda sofre desigualdades. Estatísticas mostram que o país tem 1,95 médico registrado para cada 1.000 habitantes, com diferenças regionais significativas.

A região sudeste é a que mais concentra médicos (2,61/ 1.000 habitantes), seguida da região sul (2,03 médicos por 1.000 hab.). Depois, aparece a região centro-oeste (1,99/1.000hab.), nordeste (1,19 médicos por 1.000 habitantes) e por último, a região norte, com menos de 1 médico a cada mil habitantes (0,98/1.000).

O Distrito Federal é a Unidade da Federação que mais concentra médicos (4,02/1.000hab). Em contrapartida, no Maranhão, há apenas 0,68 médico para 1.000 habitantes.

Outra constatação da pesquisa realizada é que os médicos buscam as capitais para trabalhar. No conjunto das capitais brasileiras, a razão de médicos registrados por 1.000 habitantes é de 4,22, contra 1,95 no país como um todo.

Três capitais - Vitória, Belo Horizonte e Florianópolis - chamam a atenção pela elevada proporção de médicos registrados por habitantes, especialmente quando se compara com os números dos seus próprios estados. Espírito Santo tem 2,11 médicos registrados por 1.000, enquanto a capital Vitória conta com 10,41. Santa Catarina tem 1,89 médico por 1.000 habitantes, enquanto a capital Florianópolis tem 6,44. Em Minas Gerais há 1,97 médico por 1.000 habitantes, contra 6,29 na capital.

Concluindo, os estados do norte, nordeste e centro-oeste contam com a metade dos médicos que estão concentrados no Sul e no Sudeste. Os cidadãos que moram no interior dos estados contam, em média, com duas vezes menos médicos do que aqueles que vivem nas capitais.

Torna-se necessário criar políticas e programas que visem diminuir as desigualdades na distribuição de médicos no Brasil, buscando melhorar o acesso da população aos serviços de saúde.

Fonte: Instituto Salus

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