quinta, 19 de setembro de 2013

Medicamentos e álcool: uma associação perigosa para a saúde

Saiba mais sobre os riscos da interação entre medicamentos e álcool.

Medicamentos e álcool, quando utilizados concomitantemente, podem resultar em interações perigosas para a saúde.

O uso de medicamentos exige cautela em relação a outros hábitos, como por exemplo, o consumo de álcool. O álcool ou etanol pode ser encontrado em alguns medicamentos em pequenas concentrações como veículo, além de ter função de anti-séptico e desinfetante.

O consumo de bebidas alcoólicas é comum entre as pessoas.  Especialistas calculam que aproximadamente 70% da população adulta consomem bebidas alcoólicas pelo menos ocasionalmente, sendo que 10% fazem uso diário. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o baixo consumo de álcool resulta em uma redução no risco de doenças coronarianas. Porém, a OMS adverte que o consumo de álcool está associado a outros riscos cardiovasculares, o que não favorece uma recomendação geral de seu uso.

Já foi comprovado que o consumo não moderado de álcool está associado a risco aumentado de doença de Alzheimer e outras demências, angina de peito, osteoporose, diabetes, úlcera gastroduodenal, gastrite, cálculo biliar, hepatite, linfoma, litíase, síndrome metabólica, doença de Parkinson, artrite reumatóide e diversos tipos de câncer. O consumo não moderado também pode dificultar a memória e o aprendizado, e até piora a pontuação em testes de QI.

Um estudo sobre o consumo de vinhos publicado na American Journal of Clinical Nutrition descobriu que vinhos sem álcool possuem os mesmos benefícios do vinho comum, e que o álcool pode reduzir os benefícios. Acredita-se que sejam os flavonóides presentes na uva que protegem contra doenças do coração e alguns tipos de câncer.

O álcool também pode causar problemas quando consumido por pessoas que utilizam medicamentos. Em alguns casos, os problemas são graves e até fatais.

Você sabe quais são as principais contra-indicações da associação entre álcool e medicamentos?

- O álcool não deve ser utilizado com medicamentos psicotrópicos em geral, sobretudo os depressores do Sistema Nervoso Central, como os benzodiazepínicos e outros ansiolíticos. A explicação é simples, já que a associação pode resultar num efeito sinérgico de aumento da depressão central. Há contra-indicação também para a combinação de álcool e anticonvulsivantes, antipsicóticos, analgésicos opióides, anestésicos e antidepressivos.

- Os anti-histamínicos ou antialérgicos podem causar no paciente, se usados juntamente com o álcool, sedação aumentada e alterações psicomotoras. Por isso, esta combinação é contra-indicada.

- Alguns antimicrobianos como metronidazol, cloranfenicol, isoniazida e sulfonamidas não devem ser utilizados concomitantemente com bebidas alcoólicas, porque podem induzir a uma síndrome chamada de Antabuse, caracterizada por rubefação, taquicardia, cefaleia, náuseas e vômitos.

- Outros antimicrobianos nem sempre são contra-indicados concomitantes à ingestão de bebidas alcoólicas, por não interferir na sua farmacocinética. No entanto, é prudente que as pessoas em tratamento com antimicrobianos não façam uso de bebidas alcoólicas, aliás, o consumo de bebidas alcoólicas não é recomendado sob nenhuma circunstância.

Uma condição importante em que há contra-indicação absoluta do consumo de álcool é a gestação, devido ao aparecimento da síndrome alcoólica fetal, que pode ocorrer em até 30% dos filhos de mães dependentes de álcool.

O metabolismo do etanol gera uma substância carcinogênica e tóxica, o acetaldeído, que também é um dos agentes responsáveis pela ressaca.

Desta forma, é importante que a população se conscientize dos riscos associados ao consumo de bebidas alcoólicas, sobretudo se há uso de medicamentos. Os profissionais de saúde tem o dever de alertar e orientar a população sobre esses riscos.

Fonte: InstitutoSalus.com

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